Precisa emagrecer?

emagrecerA maioria das pessoas (~90%) recorre a uma consulta de dietética e nutrição clínica pelo mesmo motivo – excesso de peso ou obesidade! Muitas partilham a mesma história, aumentaram de peso grama a grama, sem saberem muito bem como é que acumularam tantos quilos. Quando chegam à consulta já tentaram de tudo um pouco: suplementos, medicamentos, chás, dietas milagrosas, jejuns, batidos, sumos, detox/retox, etc.. E é verdade que estas estratégias até resultaram em perda de peso – algumas chegaram a perder 10, 20 e 30 kg – tendo sido, por isso, um sucesso! Na realidade, estas experiências alcançam apenas um sucesso temporário já que, a médio e longo prazo, os quilos perdidos voltam a acumular-se e, em muito casos, ainda se ganha mais alguns como bónus. As mulheres continuam a ser as maiores contribuintes desta realidade, até porque à vontade de perder peso se alia a vontade própria das hormonas, das emoções, do stress, da carga de trabalho, das responsabilidades familiares e da falta de tempo! São as super-mulheres do nosso tempo que, tantas vezes, sofrem na pele os altos e baixos do peso.

dieting (em português, “estar de dieta”) é um dos fatores de risco mais associados a alterações do comportamento alimentar. A existência de centenas de dietas “populares” (e drásticas) leva as pessoas a experimentarem práticas alimentares pouco saudáveis que a médio e longo prazo só as vão prejudicar – quanto mais dieta fazem, mais engordam porque os resultados (a perda de peso) são de pouca duração. Estas dietas são uma solução rápida para resolver o problema do excesso de peso de forma temporária (para caber no biquíni na época balnear ou para usar um vestido) e depois poder voltar aos velhos hábitos alimentares e…recuperar os quilos perdidos (que deixaram saudades?)!

Ciclo da Dieta (Dieting Cycle, também denominado por “dieta iô-iô”) é o nome que se dá a este vai e vem do peso que além de  quilos a mais também provoca sérios desequilíbrios físicos, metabólicos, psíquicos e emocionais!

ciclo dietaO início deste ciclo ocorre com um forte desejo para perder peso o que, por vários motivos, faz com que as pessoas diminuam drasticamente (restrição) a ingestão de alimentos – passam fome – passando a agir no “modo salada e sopa”, ou seja, folhas de alface ao almoço e sopa de água com coentros ao jantar. Às vezes ainda comem uma peça de fruta, mas só maçã ou pera – porque o melão e banana engordam…ah e pão, esse maldito, nem pensar! Aliás, o melhor é mesmo cortar nos hidratos de carbono e corta-se o mal pela raiz!

Esta restrição alimentar, por sua vez, provoca um enorme sentimento de privação. O corpo humano está desenhado para consumir uma série de alimentos e precisa de determinadas quantidades de nutrientes para poder desempenhar as suas funções adequadamente. Ora, quando os alimentos e os nutrientes são negados durante um certo período de tempo, o organismo defende-se e surgem, assim, pensamentos contínuos sobre a dieta e os “alimentos proibidos” (principalmente sobre os que transbordam gordura e açúcar – gelados, bolachas, salgados, chocolates, bolos com creme, entre outros). Surge uma “vontade” imensa (um apetite enorme) de comer, comer tudo o que nos apetece. O problema é que não se consegue controlar esta vontade durante muito tempo e, assim, cedemos e devoramos o que nos aparece à frente – temos um episódio de compulsão alimentar (consumo muito excessivo e descontrolado de comida, por norma, muito gorda e açucarada). A dieta acaba aqui mas não acaba sozinha… traz consigo os sentimentos da culpa, da derrota, da incapacidade, da ineficácia e da incompetência!

Atualmente, com o acesso facilitado a todo o tipo de informação, a confusão à volta do mundo da alimentação e nutrição é gigantesca. E, em muitos casos, as pessoas sentem dificuldades em escolher o que devem comer. A situação piora um pouco quando, se alia a toda esta informação e contra-informação, as estratégias de marketing da indústria que vive à conta do emagrecimento. A pressão social para a magreza e o culto do corpo é enorme, mas será que é saudável? E será que, enquanto seres livres nos devemos subjugar a essas campanhas que só prejudicam a nossa saúde? Temos todos que ser magros? Ser magro significa ser mais bonito? Quem é que definiu isso? Será que ser magro é sinónimo de ser saudável? …Ah, quantas estratégias terríveis se usa para se ser e manter magro, seco, sem ponta de gordura…tabaco, cocaína, vómito, drenantes, laxantes, água destilada, dieta do algodão…sim, leu bem…dieta do algodão. Saudável? Quem?

Uma colega brasileira, Sophie Deran (nutricionista) fala de terrorismo nutricional quando se refere a tudo o que acontece à volta do negócio das dietas e do emagrecimento e afirma “Restringir alimentos virou moda. Restrições alimentares significam, popularmente, “ser saudável”. As dietas zero glúten, detox e zero lactose passaram a ser sinónimos de identidade. E, sendo assim, as refeições adquiriram status de “boa” ou “má”, como se houvesse um anjo ou diabinho alimentar proibindo ou permitindo o que comer. O ato de se alimentar deixou de possuir um caráter nutritivo, prazeroso e afetivo, tornando-se algo mecânico e artificial.

A área da nutrição e do emagrecimento são áreas de negócio apetecíveis para muitas indústrias (suplementos dietéticos/alimentares, chás, dietas X, Y e Z, batidos, barras proteicas/energéticas, refeições prontas, ….) e o emagrecimento vive à custa da venda de produtos inúteis! Todos os anos, entre março e junho, abre oficialmente a “época da Dieta Rápida”. A chuva torrencial de produtos especiais, comprimidos milagrosos, últimos gritos da ciência, métodos revolucionários e outros têm como único objetivo o emagrecimento da sua carteira.

Se necessitar (ou quiser) perder peso, é importante perceber que é preciso trabalhar para isso, a curto, médio e longo prazo e o primeiro passo é, na minha opinião, escolher um profissional de saúde habilitado que lhe prescreva uma DIETA SAUDÁVEL capaz de lhe fornecer todos os nutrientes necessários para perder peso de forma responsável, sustentada e sem prejudicar a sua saúde.

Menos 5 kg em 3 diasSão imensos os perigos associadas ao rápido emagrecimento. Este tipo de dietas, por norma, promete resultados muito rápidos num curto espaço de tempo (perca até 7kg, em 3 semanas!!!). Regra geral como estas dietas são muito restritivas, o aporte em nutrientes é deficiente e ocorrem sintomas a curto prazo como a fadiga, falta de concentração, apatia, perda de massa muscular, flacidez, cãibras musculares, tonturas, redução do metabolismo basal, entre outros. Além disso, a perda de peso deve-se à perda de água e não à perda de massa gorda!!

Quando se pretende emagrecer e manter a saúde em níveis ótimos é fundamental seguir uma dieta que forneça quantidades adequadas de proteínas, hidratos de carbono, gorduras, vitaminas e minerais. As dietas rápidas servem para perder peso mas não é possível perder peso e manter o peso perdido com estratégias de curto prazo. Não se iluda – perder peso de modo saudável requer mudança de hábitos/comportamentos que devem ser mantidos a vida toda.

Há vários tipos de dietas rápidas e algumas delas:

  • Prometem sempre uma perda de peso rápida, eficaz e duradoura;
  • Concentram-se em produtos específicos: chá verde, toranja, alcachofra, beringela, cafeína ….
  • Proíbem alimentos ou grupo de alimentos (ex.: hidratos de carbono)
  • Usam sistematicamente substitutos de refeições;
  • A dieta implica comprar o “pão X” e o “batido Z”
  • Não promovem a prática do exercício físico;
  • Recorrem a “testemunhos” sobre os seus produtos (todos viveram autênticas transformações….)
  • Não promovem a mudança de hábitos alimentares – bastar comprar os produtos (ex: Sumo de Alcachofra, Comprimido de Espinafre,..);
  • Tratam o Excesso de Peso e a Obesidade como se fosse um problema simples;
  • Prometem a redução de gorduras localizadas (era bom, não era!!!);
  • Usam conceitos de marketing como “milagre”, “descoberta científica”, “métodos revolucionários” …

Conclusão:

Se quer ou deseja perder peso, escolha um método adequado que promova uma perda de peso eficaz e duradoura sem prejudicar a sua saúde:

  1. Procure um profissional capaz de lhe fornecer ajuda;
  2. Dê preferência aos métodos que promovem a educação alimentar;
  3. Não se iluda, emagrecer requer tempo e mudança de hábitos;
  4. Aposte num estilo de vida saudável;
  5. Não desperdice o seu dinheiro em produtos inúteis.

A alimentação é o mais importante investimento em saúde!

Por: Sofia A. Rodrigues, nutricionista

3 thoughts on “Precisa emagrecer?

  1. andreia pires says:

    Subscrevo em 200%, eu esta semana decidi que devia alterar muitos dos aspectos da minha vida, estava mergulhada num caos, inscrevi-me num ginásio e treino com um pt, que faz imensa diferença, e alterei alguns aspectos ao nível da alimentação, 6 refeições por dia onde não faltam os hidratos de carbono, tão importantes para uma alimentação saudável. Não quero perder quilos amanhã, quero perde-los moderadamente, sem passar fome nem perder a minha sanidade mental :)… parabéns pelo artigo

  2. T. says:

    Gostei muito do texto. Tenho andado a tentar perder peso e mudar os maus hábitos alimentares que tinha, mas é complicado e tenho medo de “parar” a dieta e voltar ao que era… 🙁

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